A fugir do coronavírus e da N10

O covid-19 anda aí e hoje apeteceu-me fugir dele fazendo os 25 kms casa-trabalho de bicicleta. Infelizmente  encontrei a restante família pelo caminho: a prima covid-98, a tia covid-95 e o avô covid-diesel.

Actualmente moro em Alverca um local pacato fora de Lisboa mas sem perder a característica citadina que aprecio. Apesar de ter muitas qualidades, se há coisa que me chateia mesmo muito é a grande dependência do automóvel numa zona que é 100% plana e com serviços/lojas em cada esquina. 
Aliás tudo o que seja a norte do Parque das Nações até ao Entroncamento é maioritariamente plano. 

O problema é que essa dependência reflecte-se no investimento em acessos/infraestruturas pedonais e cicláveis e apesar de se ter feito alguma coisa nos últimos anos, a verdade é que se queres ir para Lisboa, ou vais de carro pela N10 e A1 ou comboio/autocarro. Bicicleta não é de todo viável! E não é por causa da distância. Apesar de estar a negrito e sublinhado volto a repetir: Não é DE TODO por causa da distância.



Conheço muito bem este trajecto, já o fiz dezenas de vezes, mas sempre a um ritmo mais desportivo, ou por outras palavras, sempre a abrir, para tentar fazer no mínimo tempo possível. Desta vez o objectivo foi tentar perceber se com as opções actuais e sem recorrer à N10 (pelo menos em + de 90% do percurso) era viável uma utilização regular casa-trabalho a um ritmo moderado, sem transpirar e sem correr riscos desnecessários.

Aqui na foto é a ciclovia ainda em construção, na zona do Forte da Casa. Para chegar aqui vindo de Alverca tens de passar por sítios completamente inacessíveis para uma utilização regular, ou enfrentar o perigo constante da N10 ao lado. 


Nesta zona chego à Povoa de Sta Iria, já com o piso pintado a vermelho. A ciclovia está cheia de lixo e vidros ao longo de TODA a via. Há inclusive postes no meio e outros detalhes que obrigam ou a desmontar ou a passar para a estrada ao lado, o que inviabiliza um uso regular e descontraído

Pelo caminho encontrei um senhor a limpar parte dela, até lhe agradeci!

A ciclovia acaba no fim da Póvoa, depois só mesmo Nacional o que mais uma vez inviabiliza o uso regular para quem quer ir nas calmas e descontraído para Lisboa. Ao fim de aprox 2 km tens a ligação ao IC2, mas imediatamente antes a entrada para o terminal de contentores que vai desde St Iria à Bobadela. 

Aqui o ambiente é mais calmo, apesar de de vez em quando passarem os camiões a boa velocidade. Pode fazer alguma confusão no início mas é fácil habituar, a estrada é muito larga e quando vês que vêm 2/3 camiões até podes ir para a berma em contra-mão que é mais seguro. É claramente uma melhor alternativa à N10 neste troço. Senti-me bem apesar do ruído e poluição permanente dos carros ao lado no IC2

Esta estrada do terminal não tem saída, o viaduto do IC2 cortou a ligação a Sacavém. Mas como estamos de bicicleta, principalmente a minha Veli super leve, tudo é possível. No fim tens a escadaria para passar a linha do comboio. Este detalhe é importante porque de eléctrica e todos os dias, era para esquecer. A não ser que seja algo mais leve como uma Tern Vektron de 21kg. Aliás a próxima experiência aqui vai ser com ela. 

O viaduto atravessa a linha de comboio para dar ligação à N10. Tens um atalho antes na Bobadela, mas tens de atravessar os carris com a bicicleta, é perigoso para todos os dias, mas fazível se fosse apenas uma ou outra vez.

Não precisas ir para a N10, este ultimo troço podes muito bem ir em contra-mão pelo passeio até Sacavém
 
A nova ponte sobre o Rio Trancão em Sacavém. Melhoraram o acesso pedonal que serve muito bem para bicicletas. Mais à frente cortas à esquerda em direcção ao Parque das Naçoes

O P. das Nações é uma gigante ciclovia, não falta espaço e caminhos para explorar se quiseres ir nas calmas. Não há muito a dizer aqui. É talvez a zona mais segura de todo o distrito para se pedalar (não sei se estou a exagerar, se sim dá-me um outro exemplo por favor) 

A ligação em ciclovia do P.Naçoes a Matinha não é por aqui obviamente, mas junto ao rio. Isto fui eu a ver se queria partir um braço à borla só para não me desviar uns metros. Enfim. 

Uma das últimas ciclovias feitas, na ligação à zona do Braço de Prata.

Que depois continua pela Av Infante D Henrique naquela que eu considero a "ciclovia" mais merdosa de Lisboa. A sério, quem é que na CML teve a feliz ideia de plantar pinheiros junto a uma ciclovia??
Mas não é merdosa só por isso, todo o trajecto junto à Avenida é perigoso pela falta de fiscalização das velocidades. Estes separadores e as árvores não evitam o embate em caso de despiste. E andam aqui automobilistas a mais de 100!! Que impunidade angustiante. Se a atravessares repara na quantidade de separadores já danificados por acidentes. É muito fácil para um automobilista entrar pela ciclovia dentro e ceifar uma ou mais vidas num piscar de olhos. Como comparação, sinto-me mais seguro a fazer (alguns) troços na N10.

Afonso III a caminho da Morais Soares, uma espécie de subida à Serra da Estrela dentro deste registo. Obviamente parei a meio e fui um pouco a pé. Como alternativa há a Mouzinho de Albuquerque, mas como vinha do Norte não me apeteceu mais e preferi cortar caminho por Xabregas. Foi o único sítio onde senti falta da eléctrica. Por outro lado, faço a viagem toda com uma bike leve e mais rápida e  andar um pouco a pé no final não mata.

Para quem mora a Norte de Lisboa como eu, a melhor maneira de chegar a Lisboa sem ser de carro é de comboio. E para uma maior autonomia, comboio+bicicleta. Para o caso de não saberes podes transportá-la gratuitamente nos comboios e também nos autocarros Boa Viagem que têm porão ou em alguns da Rodoviária de Lisboa. Na prática apenas recomendo dobráveis ou minivelos como esta Veli. 

Fazer 25km casa-trabalho todos os dias (50km)? SIM, sem stress, muito bom apesar de demorares mais de hora e meia em ritmo relaxado.
O que fiz hoje é viável para todos os dias? NÃO, infraestruturas inseguras e excesso de poluição.

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